Juíza do Trabalho

Laura Benda

A trajetória de uma juíza do trabalho feminista

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10/04/2019 18h02Atualizado há 11 meses
Por: Alvaro Maq
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A partir de meados do século XX, é a vez das mulheres surgirem como sujeitos sociais, históricos e econômicos, especialmente pelo fato de, em menos de trinta anos, terem se tornado a metade da população economicamente ativa mundial. Assim, como os oprimidos, depois de oito mil anos de invisibilidade, as mulheres começam também a exercer um papel cada vez mais determinante nas estruturas políticas, sociais e econômicas.

No início dos anos 70, as intelectuais mulheres criam a categoria gênero – até então, não havia instrumento metodológico para dar conta dessa entrada das mulheres no domínio público. A categoria gênero começou a ser usada, em primeiro lugar, para mostrar a discriminação em todos os níveis – no econômico, no político, no social. Ao falarmos de gênero, ou relações de gênero, tratamos da construção social das identidades feminina e masculina, assim como da forma de relação social que se estabelece entre mulheres e homens, entre mulheres entre si

e homens entre si. A escolha das expressões “relações de gênero” ou “identidades de gênero” se deve à intenção de deixar bem claro que as desigualdades entre homens e mulheres são construídas pela sociedade e não determinadas pela diferença biológica entre os sexos.

Assim, as atribuições sociais destinadas a homens e mulheres fundamentam-se em valores sócio-culturais estabelecidos por uma determinada sociedade, a qual atribui lugares distintos a cada um: há a expectativa de que a mulher ocupe o espaço privado, enquanto ao homem cabe o espaço público.

Mulheres e homens imprimem no corpo, gesto, posturas e disposições, as relações de poder vividas a partir das relações de gênero. As pessoas nascem bebês machos e fêmeas e são criadas e educadas conforme o que a sociedade define como próprio de homem e mulher. Educados assim, meninas e meninos adquirem características correspondentes aos considerados papéis femininos e masculinos. As crianças são levadas a se identificar com modelos do que é feminino e masculino para melhor se situarem nos lugares que a sociedade lhes destina.

Dr. Ademar Rosa, marido e também Juiz do Trabalho.

 

“Lugar de mulher é onde ela quiser.”

A naturalização é o principal mecanismo de justificativa dessa situação. Essa naturalização dos papéis e das relações de gênero faz parte de uma ideologia que tenta fazer crer que esta realidade é fruto da biologia, de uma pretensa essência masculina e feminina, como se já nascêssemos assim. Não é difícil imaginar, portanto, como é desafiador ser uma mulher que questiona esses supostos papéis definidos de gênero que lhe  são impostos.

No meu caso particular, tive alguns facilitadores nesse processo. Em primeiro lugar, sou branca e oriunda de uma família de classe média baixa, de modo que, ainda que não tivéssemos muitos bens de consumo, sempre tive acesso a uma educação de qualidade. Além disso, fui criada por uma mãe que, ao assumir sozinha todas as responsabilidades da família, sempre me demonstrou como as mulheres são o oposto das características de fraqueza e submissão que lhes costumam ser atribuídas. Ao contrário, podemos ser fortes, inteligentes e, se quisermos, ocupar quaisquer posições  de liderança.

Após passar a infância e a adolescência no interior de São Paulo, mudei-me para a

capital para cursar Direito na Universidade de São Paulo, no Largo São Francisco. Fui advogada trabalhista, servidora pública e, aos vinte e sete anos, ingressei na magistratura do trabalho, cargo que ainda ocupo, no TRT da 2ª Região, após alguns anos no TRT da 15ª Região. Além disso, atualmente sou Gestora Regional do Trabalho Seguro do TRT da 2ª Região, Diretora Adjunta de Direitos Humanos da AMATRA 2 e, ainda, Presidenta da Associação Juízes para a Democracia (AJD). Ao lado de outras juízas queridas da AJD, participo da coluna Sororidade em Pauta, na qual tratamos das muitas facetas dos feminismos.

Afinal, como diz uma frase que já está consagrada, feminismo é a ideia radical de que as mulheres são gente. E, ainda, de que lugar de mulher é onde ela quiser.

Laura Rodrigues Benda Juíza do Trabalho do TRT da 2ª Região Presidenta da Associação Juízes para a Democracia Diretora Adjunta de Direitos Humanos da AMATRA 2 Gestora Regional do Trabalho Seguro do TRT da 2ª Região, Diretora Adjunta de Direitos Humanos da AMATRA 2 e, ainda, Presidenta da Associação Juízes para a Democracia (AJD). Ao lado de outras juízas queridas da AJD, participo da coluna Sororidade em Pauta, na qual tratamos das muitas facetas dos feminismos.

Afinal, como diz uma frase que já está consagrada, feminismo é a ideia radical de que as mulheres são gente. E, ainda, de que lugar de mulher é onde ela quiser.

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